
Nos dias mais difíceis da sua vida, tudo que a medicina ocidental tinha a oferecer a Chris Linnares era a terapia pela fala e antidepressivos. Mas essa psicóloga e autora de sucesso sabia que tinha de haver outra forma de reencontrar sua felicidade.
Ao lado do novo marido, Chris Linnares havia se mudado do Brasil, sua terra natal, para a tundra gelada de Fargo, Dakota do Norte. A transição para essa terra estranha com gente nova e uma língua estrangeira já trazia uma carga suficiente de dificuldades. E então o mundo de Chris pareceu vir abaixo.
Seu pai faleceu. Luiza, sua filhinha nascida prematuramente, passou uma semana na UTI. Chris ganhou 27 quilos e sofreu depressão pós-parto.
Tendo como opções um frasco de comprimidos ou o divã de um analista, Chris ansiava por uma alternativa mais barata e mais natural para tratar sua depressão.
E foi nesse momento que ela se voltou para uma força que nossa sociedade se esqueceu há muito tempo - uma força reverenciada por outras culturas, e fundamentada na tradição e na ciência.
Medicando a América
Embora tal força exista, americanos em números cada vez maiores insistem em buscar ajuda no balcão da farmácia quando se sentem deprimidos.
Segundo o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças, os antidepressivos são os medicamentos mais receitados nos EUA, com 118 milhões de receitas prescritas durante consultas médicas em 2005. O uso adulto de antidepressivos quase triplicou entre os períodos 1988-1994 e 1999-2000.

Dr. Ronald Dworkin rebela-se contra a excessiva medicação da América no seu livro de 2006, "Felicidade Artificial". Ele acredita que os médicos começaram a prescrever remédios para tratar a infelicidade quotidiana em vez da depressão clínica.
"Essas pessoas têm vidas plenas e ocupadas, exceto que aquilo que a vida lhes oferece não os penetra profundamente", ele escreve. "Em vez de extrair felicidade de suas atividades diárias, alguns desses Americanos Felizes a obtém no armário de remédios por meio de antidepressivos como Prozac e Zoloft".
Descobrindo a força
Chris Linnares sabia que precisava haver outra forma de garimpar sua felicidade. Quando estava no Brasil para o velório do pai, um amigo querido a incitou a pensar sobre o tempo quando ela fora mais feliz. Ela havia sido feliz no Brasil. E no Brasil, ela dançava.
Ela começou a dançar em sua casa em Fargo com um CD de música brasileira tocando como pano de fundo. Chris começou a se sentir melhor e a perder peso. Ela começou a visualizar uma vida mais feliz e bem sucedida e essa vida veio a ela.
Chris Linnares tinha encontrado a força - a força do corpo.
Muitas pessoas reconhecem a força do pensamento positivo, da mente sobre a matéria. Entretanto, como diz Dr. John Ratey, professor de psiquiatria da Harvard Medical School em seu livro "Spark" (Centelha): "Assim como a mente pode afetar o corpo, o corpo pode afetar a mente".
"Os exercícios têm um impacto profundo na saúde mental e são um dos melhores tratamentos para a maioria dos problemas psiquiátricos", escreve Ratey e acrescenta que as muitas conexões entre mente e corpo sugerem que qualquer tipo de atividade física melhora nossa cognição. "Ao motivar o corpo a se movimentar, você está encorajando a mente a abraçar a vida", ele escreve.
Quando Chris percebeu o benefício que a dança lhe havia trazido, ela sentiu-se compelida a dividi-la. E assim ela criou Diva Dance, uma experiência de corpo e mente que leva as participantes a se conectar com sua diva interior - sua alma, seus sonhos e sua felicidade. Chris explica que diva significa "divino" e divino significa "poderoso". Em essência, poder é energia - uma força capaz de produzir mudança.
"Se você quiser produzir mudança em sua vida, precisa saber como aumentar sua energia", diz Chris. "Precisa saber como liberar seu poder". Com uma generosa dose de humor, Chris encoraja as mulheres a se envolver com a sensualidade dos movimentos da salsa e do samba. Isso as ajuda a ouvir sua voz interior e a dançar sua própria dança.
Suporte científico
Embora Chris Linnares tenha criado um pacote moderno e divertido de terapia pela dança, ela não descobriu nada de novo. A ciência e a história apóiam Diva Dance.
Como escreve o biólogo celular Bruce Lipton em seu livro de 2008, "Biology of Belief" (A Biologia da Crença), os organismos vivos se distinguem de entidades sem vida porque se movem.
As pessoas com depressão ficam letárgicas e não se movimentam, reparou Chris. "As pessoas felizes têm energia", ela diz.

Um estudo da Duke University ajuda e explicar os motivos. A pesquisa descobriu que os exercícios são tão eficazes quanto os medicamentos no tratamento da depressão. Isso porque os exercícios elevam as taxas de dopamina, serotonina e norefedrina, as mesmas substâncias químicas controladas pelos antidepressivos.
Jane Cibel, assistente social clínica e personal trainer certificada em Washington, D.C., usa exercícios nas sessões de terapia com seus clientes. Ela acredita que os pensamentos positivos acionados pelos altos níveis de química cerebral estimulada pelos exercícios podem ajudar a reforçar emoções e comportamentos positivos.
Nos seus seminários Diva Dance, Chris Linnares também conecta emoções positivas com movimento. É aí que a psicologia entra no seminário. À medida que as mulheres contorcem os quadris, Chris as estimula a passar as mãos pelo corpo e proclamar afirmações como "Sou sexy!" e "Sou gostosa!". Ela usa técnicas comportamentais cognitivas para encorajar as mulheres a refletir sobre suas vidas e se tornar mais conscientes de suas emoções.
"Suas emoções estão em seu corpo, e você pode libera-las por meio do seu corpo", diz Chris. "Quando faz isso com Diva Dance, eleva sua energia e tem a sensação de bem-estar".
Candace Pert, conhecido autor, farmacologista e pesquisador científico, escreveu vários livros que se aliam aos ideais de Diva Dance: a mente e o corpo são um, a energia está ligada às emoções, as palavras e a música têm a habilidade de cura.
"O nível celular, onde as emoções são instigadas é também onde as emoções não expressas são armazenadas", escreve Pert em "Molecules of Emotions" (As Moléculas das Emoções). "Quando as emoções armazenadas ou bloqueadas são liberadas pelo toque ou por outros métodos físicos, ocorre uma limpeza nos nossos caminhos internos, que vivenciamos como energia".
Mas por que dançar?
Como perceberam as pesquisas científicas e profissionais da área médica como Ratey, da Harvard, os exercícios são fundamentais para a melhoria do nosso bem-estar mental. Mas a dança pode deter um poder especial.
Em "Spark", Ratey escreveu especificamente sobre estudos feitos em dançarinos. Esses estudos mostram que se movimentar a um ritmo irregular melhora a plasticidade do cérebro. Aprender habilidades motoras mais complexas - como uma coreografia, por exemplo - desafia o cérebro e cria sinapses complexas, que podem ser usadas para o pensamento positivo.
As culturas antigas também perceberam o alto valor curativo da dança. Ao lado das caçadas, a dança é a atividade mais retratada na pinturas rupestres, segundo artigo encontrado no endereço www.firetribehawaii.org.
Embora a cultura ocidental possa ter reduzido a dança a entretenimento ou atividade social, seu poder curativo e de transformação permanecem, afirma o artigo.
Há milhares de anos os Xamãs têm usado a dança para se conectar e comunicar com o mundo espiritual e como método de "mudança pelo sonho" - uma jornada interior para se conectar com as fontes de orientação, ativando habilidades que permitem a reinvenção, ou que convidam os espíritos ou a energia vital para encarnar e curar.
"A idéia da dança como linguagem simbólica da psique que pode iniciar uma experiência curativa, visionária e estática por meio do ritmo e movimento está sendo explorada por números cada vez maiores de pessoas em busca de novos níveis de saúde, integridade e conexão espiritual", diz o artigo.
Dr. Bradford Keeney, psicoterapeuta, viajou o mundo estudando como as culturas mais antigas usam movimento estático, incluindo a dança, para curar seus membros.
"Em aldeias na África, várias pessoas buscam a ajuda de curandeiros tradicionais sempre que ficam doentes", escreve Keeney em seu livro "Shaking Medicine" (Balançando a Medicina). "Em vez de prescrever repouso e relaxamento, muitos desses curandeiros reúnem a comunidade, pegam nos tambores e começam a dançar em volta do fogo".
Colocando o poder em uso
O poder do corpo e da dança em particular é resumido por Helen Payne em seu livro "Dance Movement Therapy" (A Terapia do Movimento da Dança): "A essência do movimento é o corpo. Estamos vivos e nos movemos. Nossas próprias células dançam à sua pulsação. A respiração, o batimento cardíaco, os pensamentos e as emoções são todos expressos pelo corpo e têm seus próprios padrões e formas. A dança pode ser uma metáfora para as formas como vivemos nossas vidas".
Chris Linnares descreve a experiência Diva Dance de forma semelhante. A forma como as mulheres abraçam ou se afastam timidamente de uma dança diz muito sobre a forma como elas abraçam ou se intimidam pela vida.
"Em Diva Dance usamos o corpo e a mente juntos para aumentar a energia e atingir o bem-estar total". "À medida que dançamos, usamos técnicas psicoterapêuticas baseadas na terapia cognitiva para inspirar as pessoas a refletir sobre suas vidas, conscientizar-se de suas emoções e pensamentos e buscar melhores respostas e melhores formas de viver suas vidas".
Armada com esse conhecimento, Chris acredita que Diva Dance pode ser especialmente benéfico para novas mamães, incluindo aquelas que sofrem de depressão pós-parto, como ela mesma sofreu. Ratey, o neurocientista da Harvard, apóia essa idéia em seus livros.
"O pior conselho que se pode dar a uma nova mãe deprimida é que ela pegue leve", escreve. "Repouso é importante, mas não tão importante quanto a atividade. As novas mães precisam do apoio de seus maridos para encontrar o tempo de colocar seus corpos e cérebros para funcionar o mais cedo possível".
Todas as mulheres precisam encontrar o tempo para mexer seus corpos, curar suas mentes e dançar sua própria dança.